"Um mesmo livro nunca é o mesmo para duas pessoas." Ferreira Gullar



19 de junho de 2011

Orgulho e preconceito

Depois de uma aula no começo da última semana na qual citei algumas passagens de Orgulho e preconceito (Jane Austen, L&PM), fiquei com muita vontade de reler esse clássico e percebi que nunca escrevi nada sobre ele! Assim, pus mãos (e olhos!) à obra e reli a deliciosa aventura amorosa da Srta. Elizabeth Bennet e Mr. Darcy... Como é fantástico o trabalho da autora na construção de seus personagens! Independente de não sabermos exatamente como são, afinal, ela não determina seus aspectos físicos, os conhecemos intimamente, o que conduz à leitura mais atenta dos dois grandes temas que são abordados frequentemente nos diálogos extremamente sagazes entre os personagens: o orgulho e o preconceito.

Acredito que esse é o tipo de texto que deve ser lido várias vezes, pois a cada nova leitura um outro olhar se descortina, uma outra observação é realizada... e os personagens evoluem na sua 'dança' de encontros e desencontros, numa das mais belas histórias de amor que conheço! Não é pra menos que se tornou um clássico!

A garota da capa vermelha

Era uma vez uma garota que ia se casar com um ferreiro...

Era uma vez um lenhador que queria fugir com ela...

Era uma vez um lobo...


É com essa chamada, em vermelho, na contracapa, que A garota da capa vermelha (Sarah Blakley-Cartwright e David Leslie Johnson, iD editora)apresenta sua história nada convencional. Interessante que convence -principalmente num universo já tão recheado de vampiros e outros monstros! Mas a leitura, além de não guardar um elemento mágico capaz de aguçar os sentidos, é tão água com açúcar que enjoa...

Gostei da narrativa, considerei atraentes a caracterização das personagens e o cenário meio funesto em que se passam os acontecimentos, mas falta à obra um "quê", algo que a torne mais... envolvente, talvez! Não gosto de parecer preconceituosa, mas um romance que nasce de um roteiro não me parece adequado!

O clímax da obra fica por conta da desconfiança de Valerie, a protagonista, de quem seria o lobo/lobisomem que ataca a aldeia onde vive, em noites de lua cheia: as passagens em que a nossa Chapeuzinho dark desconfia da avó, do amado, enfim, de todos... são um presente depois de momentos açucarados - e outros muito cruéis pro meu gosto! - de mais da metade do livro! Infelizmente, o final é decepcionante, mas enfim... ACREDITE NA LENDA, CUIDADO COM O LOBO!

3 de abril de 2011

Johaben - Diário de um construtor do templo


A história de Johaben (Record) é uma das mais incríveis que já li! Consegue ser a um só tempo fascinante - principalmente em razão de conter poderosos mistérios - e cansativa - por ocasião das inúmeras passagens descritivas, tanto dos ambientes quanto das sensações que envolvem a mudança do jovem Joab para Johaben.

É difícil encontrarmos romances brasileiros modernos de qualidade e que abordem uma pesquisa histórica tão ricamente trabalhada como esse de Zé Rodrix. Tenho lembranças do autor, da época de minha infância e adolescência, na música, como em Soy latino americano ou Casa no campo, mas jamais o havia associado à literatura. Fiquei encantada!

A habilidade com que ele pinta as personagens ou com que relata a busca por um deus para chamar de seu, o início da história da maçonaria, as razões por trás de mentiras e assassinatos, o renascimento do homem e sua relação com a pedra... são todos elementos que exercem função de manter o leitor preso à narrativa!

Agora preciso ler os outros dois volumes da trilogia pra continuar acompanhando as aventuras e descobertas de Johaben rumo ao novo mundo, onde as aves têm penas longas e azuis e a madeira tem seu cerne vermelho, capaz de tingir as mãos de quem a tocar...

11 de março de 2011

Mario Quintana

A poesia não se entrega a quem a define.

Obrigada, Diego!

10 de fevereiro de 2011

A pirâmide vermelha

O último sucesso de Rick Riordan repete a fórmula já conhecida na série Percy Jackson e os Olimpianos: usar a mitologia - o poder das divindades - só que dessa vez a egípcia! A Pirâmide Vermelha (Intrínseca) é o primeiro livro da trilogia As crônicas dos Kane e traz como protagonistas os irmãos Kane, Carter e Sadie, que contam a história intercalando suas vozes narrativas e um bom humor difícil de manter após as terríveis circunstâncias que presenciaram.
Talvez a tirada mais original do livro seja a maneira como essas vozes dos narradores se intercalam: através de uma gravação digital, que é transcrita pelo autor, os irmãos relatam (com direito a piadas e alfinetadas!) o que passaram a partir da véspera do Natal quando o pai - o famoso egiptólogo Dr. Julius Kane - desaparece ao destruir o Britsh Museum. Os relatos têm um ritmo acelerado e, como os irmãos são adolescentes (ele tem 14 e ela, 12), são marcados pelo mesmo estilo instaurado em Percy Jackson, com muita aventura, trocas de farpas com certos deuses terríveis do Egito Antigo e descoberta de poderes que podem mudar o rumo da vida dos jovens... e da humanidade!
Acredito que o melhor de A Pirâmide Vermelha sejam as relações que se criam entre os deuses do lado leste de New York (os Egípcios) e os que pertencem a Manhattan, numa clara alusão aos deuses gregos de Percy Jackson, o que torna Riordan um autor refinado, dado a ironias (há várias passagens no livro que apontam essa relação!) e capaz de atender às necessidades de seus leitores juvenis... e adultos, também!

Achei que já conhecia tudo que Riordan pudesse contar... ledo engano! Aguardo ansiosamente os outros dois livros da série!

2 de fevereiro de 2011

1822


1822 (Laurentino Gomes, Nova Fronteira) confirma o estilo de prosa encantadora do autor que já havia me conquistado em 1808: história contada para todos, de forma simples e engraçada! O enfoque que dá à Independência do Brasil é fantástico... Aos curiosos e bons leitores, certamente um prato cheio!

O senhor do falcão

Já passei muitas vezes por O Monge Inglês e nunca tive muita vontade de ler, mas não sei que encanto diferente tem O senhor do falcão (Valéria Montaldi, Record) que mesmo dizendo na capa que á uma história com Frei Matthew, de O Monge Inglês, não só quis ler como gostei muito!

O livro é interessante, com boa dose de suspense e personagens intrigantes... a época - século XIII - e o lugar - Milão, Itália - são componentes significativos para compor um romance em capítulos intercalados, como uma colcha de retalhos que se vai costurando aos poucos, através dos encontros (e desencontros) dos personagens, com final pouco surpreendente, mas nem por isso menos dramático! Valeu a leitura...

O mundo pós-aniversário

E se nos fosse dado o direito de escolha?

Não de coisas desimportantes - como decidir que roupa usar - ou muito significativas - como a profissional -, mas de algo que fizesse diferença emocional, que mudasse a perspectiva quanto ao que se espera do amor ou da felicidade? Como se o mundo que eclodisse após o impacto de um determinado incidente fosse completamente o oposto daquele que se considerava perfeito e totalmente aceitável!

Pois é mais ou menos por aí que se destrincha a narrativa de O mundo pós-aniversário (Lionel Schriver, Intrínseca), obra difícil de definir, ou mesmo apenas registrar uma opinião. Schriever já havia estraçalhado meus nervos com Precisamos falar sobre o Kevin e agora conseguiu me deixar aparvalhada, quase como à espera do que não pode vir, mas a gente continua esperando...

Irina é uma personagem marcada pela dúvida, que a assalta assim como ao leitor, o qual, ao mesmo tempo que torce por ela, se enraivece com sua incapacidade de ser feliz, com sua inaptidão à felicidade em qualquer dos mundo pós-aniversário que se descortinam diante dela...

Lawrence e Ramsey são os dois caminhos por que ela pode optar, sem necessariamente encontrar o que procura...

E se nos fosse dado o direito de escolha?
Saberíamos que caminho seguir?

A elegância do ouriço

Falando em indicações preciosas de leitura, volto a citar minha querida Gabi: A elegância do ouriço (Muriel Barbery, Cia das Letras) é uma delícia!
Em torno da filosofia, da psicologia e de muitas outras ciências que poderiam ser perscrutadas na obra singular de Muriel, o que se lê ali é uma aula sobre a vida em suas várias facetas, meio esdrúxulas às vezes, meio sem pé nem cabeça em outras situações, mas a vida, simplesmente...

Amei tantas passagens do livro que, pela primeira vez em anos (nem quero contar quantos!) não apenas dobrei margenzinhas nas páginas de que mais gostava, fui além: com um lápis (bem fraquinho pra não macular o universo sagrado do livro!) separei frases, parágrafos, pedacinhos de textos que mais tarde - faço questão! - irei dispondo, aos poucos, na margem direita desse blog! Verdadeiras lições sobre o estar no mundo, são reflexos do pensamento e das ações de duas personagens incrivelmente belas: Reneé e Paloma, tão semelhantes num mundo de oposições, tão sábias num universo de ignorância e aparências! Em breve devo reler essa maravilha... enquanto isso, aproveito seus pequenos mistérios!

Obrigada, Gabi!

Travessuras da menina má

Nunca tinha lido Mario Vargas Llosa! Fico pensando quanto tempo perdi... mas também penso que nunca é tarde para encontrar bons escritores antigos!
Travessuras da menina má (MarioVargas Llosa, Alfaguara) é incrivelmente bem escrito. Além de personagens encantadores e poderosos, como Ricardito e sua niña mala, sobejam fatos incríveis que perpassam 40 anos de História!

Muitas vezes antes de comprar o livro e, posteriormente, de iniciar a leitura, fiquei matutando o que teria levado a Larissa a me indicar i n c a n s a v e l m e n t e essa obra que (ela insistia!) era a minha cara! Descobri a veia histórica como pano de fundo da história mais amalucada de amor que já li e, naturalmente, me apaixonei! Ela sabia disso... e me sinto recompensada, não apenas por ela ter se tornado excelente leitora, mas pelo regalo que me deixou: uma indicação de ouro!

Só espero que agora, mesmo de longe (já na faculdade!), ela continue me mantendo a par de suas leituras e, quiçá, me permitindo conhecer outras novidades! Obrigada, minha amada... sentirei saudade!

Pequena Abelha


Pequena Abelha (Chris Cleave, Ed. Intrínseca) é um daqueles livros apaixonantes, que valem cada página!!! O autor foi muito feliz ao abordar uma temática tão complexa de forma tão sensível, abusando das metáforas para contar o indizível...

Personagens fortes, riqueza de linguagem, tragédia humana... uma fantástica mistura de acontecimentos marcantes que tocam o leitor! Belíssimo! Nota mil!

10 de janeiro de 2011

Reparação


Depois de algum tempo me veio à lembrança o romance Reparação (Ian McEwan, Cia das Letras) porque passei os olhos no filme Desejo e reparação, baseado na obra, e me lembrei de alguns comentários jocosos sobre o livro, os quais jamais compreendi! Mais de uma pessoa (e entenda-se aqui pessoas como leitores, bons leitores...) disse não gostar do livro, já não me lembro mais se necessariamente da história ou se da forma como é narrada, mas não gostar - independente de que - é não gostar e, portanto, para mim, uma situação inusitada! Eu adorei o livro...
Alguns devem estar pensando que não é novidade eu ter gostado, mas considerei Reparação uma narrativa envolvente, cheia de um olhar humano carregado de falhas que é simplesmente fantástico! Denso na medida, promove uma sensação gostosa de catarse, mesmo que seja para puxar o tapete no final!
Os bons leitores de Jane Austen, por exemplo, devem ter notado certa semelhança, seja na amarração da história, seja nos detalhes de tempo e espaço, ricamente construídos...
Quanto ao filme, bom, ainda não o vi inteiro, sempre aos pedaços na programação da TV... quem sabe meu cinéfilo preferido Leon tenha algum comentário e me desperte o desejo de assistir! Quanto ao livro, gostaria de conhecer outras opiniões e impressões... a quem ainda não o leu, é uma excelente dica de férias!

20 de dezembro de 2010

A menina que não sabia ler


"Tenso..." Tomei emprestada uma palavra que a minha filha costuma usar para titular essa postagem porque não consegui encontrar outra que caracterizasse melhor A menina que não sabia ler (John Harding, Ed. Leya)... Li ontem, assim, de uma 'sentada' só! Impossível largá-lo... Daqueles livros que deixam os ânimos alterados, uma 'bola' no estômago, uma ansiedade que é difícil descrever!

Fiquei encantada com uma série de circunstâncias: o uso da linguagem, por exemplo! É fantástico o emprego de neologismos que utilizam o nome de autores ou de espaços... a narradora nos convida a acompanhar seus passos e - incrível! - ela dá vida a uma série de situações escabrosas utilizando-se de uma linguagem que mostra seu domínio dos fatos e do uso da palavra! Muitas figuras aparecem para representar sensações - "Meu coração disparou uma vibração de pássaro preso na gaiola.", "o aroma de lírios mortiços", "a gralha preta... na neve branca"...

Ainda, chama a atenção como se utiliza de nomes de contos (principalmente de Poe!) e de romances para representar seu estado de espírito em determinado momento! É como se emprestasse dos autores e de suas obras o tom de mistério necessário para explicar determinada situação, principalmente suas emoções em relação a acontecimentos que não sabemos serem reais ou imaginários!

Nesse ponto, é impossível deixar de pensar em outro autor muito parecido, aliás, citado na contracapa do livro, que é Henry James... Faz tempo que li Os inocentes (Ediouro), mas é possível perceber a semelhança entre as duas obras: duas crianças cuidadas por criados, uma governanta, pessoas más, fantasmas... enfim, elementos que nos prendem ao livro e nos fazem desejar chegar ao final para acabar com o sofrimento!

Infelizmente, não é o primeiro livro atualíssimo que encontro com problemas na tradução (já havia citado esse problema em obras anteriores, como em Zorro!), principalmente de concordância, embora não tire a beleza da narrativa; o título é outro fator que desperta atenção: o original é Florence e Giles, o que na minha modesta opinião diz muito mais sobre a obra (afinal são os protagonistas!) do que o oferecido em português, pois Florence não deveria ler... mas lê!

Bom... acredito já ter contado demais! Espero que o leitor encontre tanto prazer quanto eu nessa aventura fascinante... Boa leitura...

14 de novembro de 2010

Amor incondicional...

... não existe! Embora em Querido John Sparks tenha construído uma linda história de amor, desde o início do século XIX não se prega algo parecido! Sei que a narrativa é linda, que o casal protagonista é maravilhoso, assim como o que se passa entre eles, mas...
Perdão, queridas (e lacrimosas!) alunas apaixonadas, só que encontrei no livro muito mais que simplesmente uma historinha de amor... adorei, por exemplo, a relação de John com o pai - desde o começo, diga-se de passagem, foi o que mais me prendeu à obra!- e a mudança de conduta após perceber o que de fato existia nele. Assim como gostei, também, das referências históricas ao 11 de setembro e tudo que envolveu a invasão ao Iraque... o caráter da ciência que entra em jogo em várias passagens, relacionadas a doenças... porque tudo isso revela que o autor está preocupado com o seu tempo e torna a obra mais verossímil! Só que não me fez chorar... nem tampouco desejar aquele final!
Bom... passo à leitura de A última música e em seguida ao registro! De acordo com minhas 'flores' do Terceirão vou gostar mais... Vamos ver!

1 de novembro de 2010

Nicholas Sparks

Ainda não consegui chegar a uma conclusão sobre esse autor fenômeno que tem deixado os adolescentes envolvidíssimos em sua histórias a ponto de derramarem rios de pranto (hehe... perdão pelo senso comum!)... mas como não resisto aos comentários dos meus alunos, tive de comprar Querido John e A última música. Daqui uns dias terei um parecer... por enquanto, só posso afirmar que o primeiro está se revelando bem bom!

31 de outubro de 2010

Romance poderoso


Os catadores de conchas (Rosamunde Pilcher) é daqueles livros pesados! Não apenas porque tem quase 700 páginas (o que já assustaria muitos por aí!), mas principalmente por traduzir várias pequenas narrativas em uma só, mesmo sem ser denso. Em capítulos que lembram novelas, a autora vai contando a saga de Penelope e sua família, de forma a provocar no leitor o desejo de conhecer as relações entre personagens tão próximos e, ao mesmo tempo, tão diferentes, divididos entre o que deveria ser uma afetiva relação familiar e a ganância e o materialismo que destroem a possível felicidade dos Keeling. Encantador é o adjetivo que me agrada utilizar na caracterização desse livro... mágica é a presença de Penelope na história, não somente por ser a matriarca, mas especialmente pela força que emprega na luta pela preservação dos valores familiares, tão caros a ela e tão pouco importantes para seus descendentes. Merece destaque!

30 de outubro de 2010

Continuo fã...

Conforme já esperava, O palácio de inverno (John Boyne) é realmente maravilhoso!
Apesar de antecipar o desfecho bem antes do meio do livro, senti-me envolvida até o final com a história dramática daquele casal lindo, com suas dores, suas pequenas alegrias, seus momentos sempre grandiosos... O vai-vem entre os acontecimentos do passado - época da Rússi czarista - e do presente - na década de 80, em Londres - são costurados com habilidade por um narrador em 1ª pessoa que tudo viu e viveu, mas que mesmo assim nos surpreende com seus hábitos gentis, sua forma sensível de perceber os acontecimentos do mundo! Isso já paga a leitura da obra! Adorei!

12 de setembro de 2010

Para Gabi!

"Cada livro... tem alma, a alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte."
(A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón)

19 de agosto de 2010

Mais uma vez... John Boyne


Cheguei à livraria sem intenção de comprar um livro para mim, só fui buscar uma encomenda da minha filha! Mas é incrível o poder que os livros têm sobre mim... Olho pra eles e não consigo resistir!

Tinha uns quantos maravilhosos, novidades quentíssimas, grandes lançamentos... só que acabei pondo os olhos em O palácio de inverno (John Boyne, Cia das Letras) e me encantei: Rússia, 1915, Nicolau II, Romanov, Rasputin... romance e História unidos mais uma vez e, pelo visto, de forma bem intrigante!

Enfim, encontrei o que nem tinha ido procurar! Já estou desesperada para devorá-lo... e em seguida contar alguns segredinhos dele por aqui!

1 de agosto de 2010

A origem da lenda!

Terminei hoje Zorro (Isabel Allende, E. Bertrand Brasil) e fiquei com uma estranha sensação de insatisfação! Comprei o livro num impulso. Quando o vi numa prateleira, pensei logo no estilo vigoroso das narrativas de Allende (em especial A casa dos espíritos), li a contracapa (o que não me é muito comum!) e decidi que queria saber o que estava por trás da lenda do cavaleiro negro! Não fiquei exatamente decepcionada, porque, afinal, é um livro e livros me encantam somente porque existem (ainda mais de aventura de "capa e espada"!), mas tive a sensação de que seria necessário um pouco mais para que eu, de fato, a apreciasse. A história é bem interessante, embora as personagens sejam muito semelhantes às dos filmes e das séries que já existem; mas a novidade fica por conta do "início" de tudo: dividida em cinco partes, a narrativa começa com os pais de Diego de La Vega e só vai até o momento em que ele retorna da Espanha e consegue recuperar as posses da família, já utilizando-se do Zorro (sua outra personalidade, conforme a narradora), passando por uma série de viagens malucas, amores impossíveis e sonhos de grandeza!
Agora há pouquinho citei a narradora e passo a me dar conta de que ela é o grande elemento do livro! Só sabemos de sua identidade no final, mas é possível pressentir quem seja a partir da quarta parte, apesar de ela dizer, lá pela terceira, que foi quando o conheceu (ou ainda se, por curiosidade, retomarmos a apresentação da narrativa). Ela é astuta, irônica, criativa, abusa da licença poética... enfim, sem essa voz talvez a obra perdesse o 'sal'...
O aspecto negativo, mesmo, fica por conta da tradução: há problemas nesse setor! Falta de concordância, regências atrapalhadas, frases com sentido incompleto... enfim, uma série de pequenos deslizes que não passarão despercebidos ao atento olhar do leitor, mas que não devem tirar o brilho da estrela de de La Vega e suas fantasias na Califórnia, junto com seus amigos e seu cavalo Tornado!
Voilà! Mais uma dica pra quem gosta de aventuras...