Sinceramente? Esperava mais de Noah foge de casa (Cia. das Letras)... Não é questão de ser exigente, na verdade, a explicação é muito simples: John Boyne está quase no topo da lista de meus escritores favoritos e, como já postei anteriormente, não posso me deparar com um título dele que preciso ler! Claro que, por isso, fui com muita sede ao pote; no entanto, não esperava que a narrativa fosse tão... como dizer?!?! Infantil não é bem a palavra, pois apesar de Noah ser um menino de oito anos e suas aventuras se enquadrarem em situações meio apropriadas a essa idade, nem toda criança de oito anos a compreenderia na totalidade (mais ou menos como acontece com O Pequeno Príncipe, entende?). Também não é ingênuo, pois o drama que cerca a vida do protagonista se molda de maneira clara, sem muitos rodeios. Da mesma forma, não é superficial, afinal, as situações inverossímeis servem apenas para ofuscar os reais conflitos pelos quais o menino está passando! Bem, definitivamente ainda não encontrei um adjetivo para classificar Noah... Gostei demais das metáforas, os diálogos e o fio condutor do enredo são inteligentes, os personagens são, no mínimo, curiosos... mas o final é frágil, acredito que isso o deixa o tal gostinho de 'quero mais'. Vale tentar!
"Um mesmo livro nunca é o mesmo para duas pessoas." Ferreira Gullar
31 de janeiro de 2012
Noah foge de casa (Jan/2012)
Sinceramente? Esperava mais de Noah foge de casa (Cia. das Letras)... Não é questão de ser exigente, na verdade, a explicação é muito simples: John Boyne está quase no topo da lista de meus escritores favoritos e, como já postei anteriormente, não posso me deparar com um título dele que preciso ler! Claro que, por isso, fui com muita sede ao pote; no entanto, não esperava que a narrativa fosse tão... como dizer?!?! Infantil não é bem a palavra, pois apesar de Noah ser um menino de oito anos e suas aventuras se enquadrarem em situações meio apropriadas a essa idade, nem toda criança de oito anos a compreenderia na totalidade (mais ou menos como acontece com O Pequeno Príncipe, entende?). Também não é ingênuo, pois o drama que cerca a vida do protagonista se molda de maneira clara, sem muitos rodeios. Da mesma forma, não é superficial, afinal, as situações inverossímeis servem apenas para ofuscar os reais conflitos pelos quais o menino está passando! Bem, definitivamente ainda não encontrei um adjetivo para classificar Noah... Gostei demais das metáforas, os diálogos e o fio condutor do enredo são inteligentes, os personagens são, no mínimo, curiosos... mas o final é frágil, acredito que isso o deixa o tal gostinho de 'quero mais'. Vale tentar!A batalha do apocalipse (Jan/2012)
É em razão de obras como A batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr, Verus) que deve haver livros leves! Levei quase uma semana digerindo essa densa narrativa... Cada passagem teve de ser bem analisada; cada personagem bem construído mentalmente; cada trecho importante bem gravado poara ser resgatado mais tarde. Apesar de a narrativa me fazer lembrar outras aventuras bem mais simples (ver nota abaixo), a riqueza com que o autor pinta os ambientes, os personagens e as situações é surpreendente, assim como o domínio que ele revela da matéria é digno de aplausos: as características dos anjos e suas castas, suas relações de poder, assim como suas falhas, são fascinantes! Amei o livro... apenas não gostei do epílogo! Não que desejasse um final infeliz, afinal é ficção e finais felizes são bastante comuns nesse estilo, mas esperava mais: desejei algo diferente de Ablon - o anjo protagonista, primeiro-general renegado - e sua trajetória! Apesar disso, quero ler Spohr de novo. Está na minha lista!Nota:
Ao citar outros autores na postagem sobre Spohr não o faço desmerecendo a obra de uns ou outros, é que muitas vezes as comparações são consideradas esdrúxulas por outros leitores, então, resolvi esclarecer. Posso afirmar, por exemplo, que a narrativa me fez lembrar de Rick Riordan; explico: quando Riordan desenvolve as ações para seus 'deuses', ele os coloca diante dos homens e dos acontecimentos como responsáveis por uma série de incidentes "reais", como se fossem os articuladores de, por exemplo, guerras que assolam a humanidade, modificando situações e lugares, transformando - muitas vezes destruindo! - o que havia lá. Nesse sentido, A batalha do Apocalipse se aproxima muito, pois os arcanjos têm ações bastante semelhantes aos deuses supracitados: são eles que determinam o rumo dos fatos, que marcam o 'destino' dos humanos como se, com um dedo, pudessem realizar coisas fantásticas ou terríveis! E mais: muitas vezes associei o arcanjo Lúcifer, de Spohr, ao deus Hades, de Riordan, com suas múltiplas faces, seus jogos de interesse, seu cinismo... de fato, os jogos de poder dos arcanjos em muito se assemelham aos promovidos pelos deuses do Olimpo, de Riordan. Um pouco mais séria, talvez, seja a possível comparação com o trabalho magnífico de J.J. Benítez... mas, vá lá! Acredito ter esclarecido a relação sugerida, embora aberta a críticas e/ou comentários. Era isso...
Não conte a ninguém (Jan/2012)
Para compensar a morosidade na leitura de A batalha do Apocalipse, li Não conte a ninguém (Harlan Coben, Arqueiro) em menos de 24 horas. Confirmando a 'teoria' expressa em Quando ela se foi, a leveza da obra colaborou com o ritmo da leitura, associada à empolgante narrativa policial em torno do assassinato de uma jovem de 25 anos e as consequências desse fato terrível na vida do marido da vítima, oito anos depois. Outro ponto que me chamou bastante a atenção foi a facilidade com que Harlan mistura as vozes narrativas, de forma que ora se lê a voz do marido, em primeira pessoa, ora o relato em terceira pessoa, com narrador onisciente, apenas quatro ou cinco parágrafos a seguir! Essa estrutura intercalada do narrar é ágil e não esconde muito ao leitor situações que vão ajudando a elucidar o conflito, o qual envolve um número tão grande de personagens que 'dá voltas', apresentando um elemento novo no final, na velha 'puxada de tapete' que objetiva deixar o leitor abismado! Bom, fácil, rápido...Excelentes ingredientes para uma leitura de férias! Pena não ter trazido mais Harlan Coben comigo...A megera domada (Jan/2012)
A cada verão releio um Shakespeare. O eleito desse ano foi a hilária peça A megera domada (L&PM Pocket)... A obra fez parte de um projeto de leitura - da mais memorável das sétimas séries - e era uma adaptação infanto-juvenil, de fato, muito boa, extremamente divertida, mas que deixava a desejar quanto ao original no que se refere ao vocabulário... É justo nesse ponto que a obra, traduzida por Millôr Fernandes, reflete o espírito da época em que se insere - século XVI - e o perfil grosseiro e desajeitado dos protagonistas: Petrúquio e Catarina. Uma história de amor fora do comum revela-se aos olhos do leitor, surpreendendo pelo grau de ironia e pelas situações inusitadas promovidas pelos diálogos afiadíssimos! Assim como havia acontecido em 2006, dei boas risadas... confirmando a perenidade do clássico! Aconselho...Não ficção (Jan/2012)

Apesar de não ter o hábito de ler não ficção, acabei apreciando dois deles, em sequência, nesse período de férias. Desde 2009 tinha guardado O livreiro de Cabul (Äsne Seierstad, BestBolso), mas ainda não tinha encontrado vontade de ler; interessante que, mais uma vez, me deparei com um tema mais que batido, de alta vendagem, várias vezes trabalhado em projetos de leitura - o Afeganistão - e pude perceber que, seja na ficção ou fora dela, não há muita diferença: desde O caçador de pipas (livro que me marcou profundamente!) tenho visitado o tema reiteradamente, até chegar à história real de Enaiatolah (Existem crocodilos no mar) no ano passado e agora com a também verdadeira história do livreiro Sultan Khan e sua família, sendo que todas as narrativas têm, sempre, pontos de contato. O que mais me perturba nelas são as ausências: de felicidade, de sonhos, de amores, de ideais... Em O livreiro..., dentre todas as situações vivenciadas por Äsne, a que mais me chocou foi, sem dúvida, o vazio da vida de Leila, a jovem de 19 anos que sabe desde sempre que sua vida será invariavelmente igual: ser obediente, cheirar a pó e a comida, escondida numa burca! É desolador...Em seguida, li Lendo Lolita em Teerã (Azar Nafisi, BestBolso). Ganhei o livro no ano passado, de uma colega que disse ter lido pensando em mim. De fato, a identificação foi imediata! A autora iraniana relata uma experiência lindíssima de como burlou um regime de opressão imposto pelo aiatolá Khomeini e reuniu um grupo de sete jovens para ler ficção em literatura inglesa e discutir os grandes temas apresentados nas obras selecionadas. Pode parecer piegas me referir à narração como uma lição de vida, mas foi exatamente assim que percebi as histórias das oito mulheres reunidas às quintas-feiras, todas vistas sob o ponto de vista de Azar (inclusive ela mesma, e muitas vezes elementos de sua família, pois os encontros se davam em sua casa)... todas vistas sob a perspectiva da memória! Nesse resgate, a cada obra lida e analisada, a vida delas também o era, de maneira que um pouco de Austen, Twain ou Nabokov, por exemplo, passava a ser um pouco delas mesmas. Como professora de literatura, as citações e as análises literárias de Nafisi acrescentaram muito, embora conheça muita gente que, mesmo não pertencendo à área, gostaria da narrativa, do que ela representa e do que ela 'deixa' no leitor: a sensação positiva de que é possível, em meio ao caos, a serenidade; em meio às frustrações, a vitória; em meio às privações, os voos da intelectualidade... e esses, não há quem os sonegue! Recomendo...
13 de novembro de 2011
Preciso recomeçar...
25 de agosto de 2011
"Comovente. Irônico. Admirável." (Grazia)
De fato, Existem crocodilos no mar (Fabio Geda, Ed. Fontanar) é tudo isso e mais um pouco!
Comovente na medida, sem extrapolar nem cair em melodramas existenciais (que me fariam, certamente, chorar!), apesar do sofrimento impresso em cada partezinha tirada da memória... Irônico no poder da palavra, o que é grandioso no relato, principalmente por vir das lembranças do protagonista... Admirável pelo grau de sensatez a partir da qual a narrativa é apresentada, atendo-se somente ao que importa de verdade ao narrador personagem: os fatos!
Fatos terríveis, inicialmente por ser deixado pela mãe; mais terríveis ainda por ter de se virar sozinho no universo cruel do Afeganistão; ainda piores, pela trajetória seguida por Enaiatollah para fugir de seu destino... encontrando pelo caminho seres que são quase impossíveis de descrever e que talvez por isso mesmo o narrador tenha decidido apenas caracterizá-los com maus e bons!
Espantosamente belo e corajoso! Encantador...
9 de agosto de 2011
A guerra dos tronos
Comprei, entusiasmada, A guerra dos tronos (George Martin, Ed. Leya), apesar do tamanho e da minha falta de tempo, mas como sempre acredito que o melhor quando não se tem tempo é encontrá-lo, pensei que não encontraria problemas e o levei, dentre outras obras, para uma viagem, no recesso de julho. Ironicamente, passei a minha mísera semana de descanso lendo outras coisas e "fugindo" do tijolo... A narrativa é intrigante, com muito mistério, muitas aventuras e intrigas em torno de uma batalha pela sucessão de um trono! Tudo de que gosto, mas num ritmo que não colabora... Adoro capítulos que se entrelaçam, com as pequenas narrativas paralelas se unindo e apontando "caminhos" para o desenvolvimento da trama, nessa obra, contudo, não percebi essas relações com fluência! Como boa leitora, segui aos tropeços e num determinado ponto (já quase desistindo!) encontrei o rumo: achei o encanto da obra!... Agora, encaro outro problema: preciso ler os outros dois volumes já!!! Quem entende essa leitora, não?!?!
P.S.: esse livro cheira muito bem!
2 de agosto de 2011
E veio a sequência...
Pois é... a trilogia Fronteiras do Universo (Philip Pullman, Ed. Objetiva) veio pra deixar sua marca...
Simplesmente apaixonante o segundo livro - A faca sutil - sem dúvida alguma, o melhor da série! O encontro da Lyra "da língua mágica" com Will e o que decorre dele é extremamente criativo, empolgante, prendendo o leitor e até o surpreendendo em muitas passagens!
Gostei tanto do segundo livro que acredito ter esperado demais do terceiro - A luneta âmbar - mas não encontrei nele o "ponto"! Faltou uma dosesinha... acho que é muito longo, ou muito descritivo, ou muito cheio de personagens ou relações entre mundos, sei lá... A leitura ficou um pouco pesada e não deslanchou, mas não considero o livro ruim, só diferente do ritmo dos dois primeiros. Recomendo...
19 de junho de 2011
Água para elefantes
De-li-ci-o-so!Ainda bem que cedo aos meus impulsos de vez em quando... Água para elefantes (Sara Gruen, Sextante) é um livro pra lá de bom, com um enredo muito bem bolado, em torno das memórias do protagonista - um homem de mais de 90 anos - do período em que trabalhou como veterinário num circo, na época da Grande Depressão. Interessante é perceber como o conflito, apresentado logo de cara, vai sendo desenvolvido sem pressa, mexendo com os nervos do leitor! Melhor ainda é notar que aquilo que em princípio era revelador sobre o desenvolvimento do enredo passa a um plano secundário, graças a revelações que vão se descortinando aos poucos... O narrador personagem tem uma força que contrasta com sua idade avançada e uma capacidade de linkar fatos que proporcionam uma versão surpreendente de sua história, assim como de seu envolvimento com os demais personagens, pricipalmente com Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que acaba salvando o circo e a vida do próprio protagonista!
Ainda não assisti ao filme, mas pretendo, se não para comparar, pelo menos para observar como foi transmitida a relação ímpar de Jacob com a personagem mais apaixonante da obra: Rosie! É emocionante...
O senhor dos ladrões
Depois de gostar muito de um livro, tenho a tendência de ler outros do mesmo autor. Naturalmente, o que busco é o senso de originalidade que pontuou a obra anterior, de forma que não me decepcionei ao ler O senhor dos ladrões (Cornélia Funke, Cia das Letras).O livro, apesar da classificação infanto-juvenil, é muito curioso, desde a caracterização dos personagens e do cenário - um pequeno grupo de crianças órfãs que vive num cinema abandonado numa Veneza deslumbrante, repleta de casarões e praças - Vespa, Mosca, Riccio e principalmente o 'senhor dos ladrões' - o garoto Scipio, o qual usa máscara negra e botas de salto -, assim como os irmãos Próspero e Bonifácio, em torno dos quais a narrativa gira.
O mais surpreendente, no entanto, não é uma coisa nem outra, mas sim a habilidade com que a autora delineia uma história paralela, que vai sendo apontada lentamente, de forma que a temática inicial (o envolvimento de um detetive muito tolo e engraçado na busca dos dois irmãos!) vai sendo desvendada e o leitor começa a se perguntar, então, o que virá a seguir, pois parece que a história tem de terminar, mas ainda há muitas páginas a serem lidas... aí tem início a segunda parte da história: o papel da asa, objeto (mágico!) que deve ser roubado pelo 'senhor dos ladrões' e que conduzirá o grupo de amigos à maior aventura de suas vidas!
O desfecho é, portanto, tão fascinante e surpreendente quanto o restante da narrativa, mantendo a sensação de estarmos diante de uma obra que diz a que veio! É show!
Coração de tinta
Falando em trilogias encantadoras... Coração de tinta (Cornélia Funke, Cia das Letras) é uma narrativa fantástica! Por trás de uma história simplista, encontra-se o elemento mágico: o reconhecimento do poder da palavra, um poder tão especial que é capaz de mudar o rumo dos fatos! A autora alemã espelha o mundo em que vivemos sob uma ótica meio impressionista, seja ao representar seus personagens através da ambiguidade de suas ações, seja ao aproximar essas ações de suas emoções... com as quais ela acaba revelando o que, muitas vezes, não desejamos perceber.
O ponto chave da narrativa é a habilidade do protagonista de animar seres dos livros pelo simples fato de ler suas histórias e o quanto esse poder transforma sua vida, assim como (e principalmente!) de sua filha Meggie. Os personagens com os quais terão de partilhar seus momentos são reconhecidamente divididos entre os 'bons' e os 'maus', num claro exemplo de que a obra tende a proporcionar momentos de reflexão, mas não necessariamente de mudar a nossa perspectiva dos acontecimentos.
Obra linda... Merece nota dez! (assim como espero que a continuação mereça...)
A bússola de ouro
Lindíssimo o primeiro volume da trilogia de Philip Pullman (Ed. Objetiva), o qual apresenta uma narrativa perspicaz sobre a natureza humana num plano diferente do nosso... mas ainda assim verossímil! As relações travadas por Lyra, a protagonista que não passa de uma criança, com o mundo - e nele elementos fundamentais à existência, como família, amigos, educação... - são marcadas pelo tom certo de tensão, que preenche a necessidade do leitor de encontrar um caminho para a menina e seu dímon. Os encontros e desencontros de Lyra com tudo que lhe é mais caro e, naturalmente, distante, marcam sua trajetória ao que é mais importante: a descoberta de si mesma!
Assim, sua existência em Oxford, sua partida com a Sra. Coulter, a viagem com os gípcios, o encontro com as feiticeiras, ou com o aerostata, ou com o incrível urso de armadura... são apenas partes de um reconhecimento de seu poder, principalmente quando ela percebe que consegue ler o aletiômetro...
Incrível... mágico... encantador!
Que venham os outros dois livros da série!
Tudo que é sólido pode derreter
À primeira vista, Tudo que é sólido pode derreter (Rafael Gomes, Leya) não atrai o leitor! Apesar da história ser atual, tem um começo morno, meio cansativo... e pra piorar, saiu de uma série de TV (não quero ser preconceituosa, mas já é a segunda vez que cito esse fato só hoje!)...Mas sabe que ele tem uma pegada interessante? Vencendo a resistência inicial - provocada principalmente pelo fato de que não fui eu que o escolhi, ele veio a mim! - reconheci no livro uma narrativa movimentadíssima e atraente, até porque envolve LITERATURA! A menina aí da capa é Thereza, a protagonista; a narrativa começa com o primeiro dia dela no 1º ano do ensino médio, suas relações em casa (é filha única), com as meninas na escola e com os meninos, claro, em especial Letícia - a melhor amiga -, Marcos - o melhor amigo - e João Felipe - o amado!
Independente de parecer meio clichê logo de cara, a história deslancha, sempre envolvendo a grande arte: a literatura; as obras trabalhadas na escola sempre acabam inspirando algo na vida da personagem e em seus enredos pessoais! Há passagens hilariantes em que a personagem "vive" as obras, e isso é muito bom... achei bem legal! Compensa a leitura das mais de 450 páginas...
Orgulho e preconceito
Depois de uma aula no começo da última semana na qual citei algumas passagens de Orgulho e preconceito (Jane Austen, L&PM), fiquei com muita vontade de reler esse clássico e percebi que nunca escrevi nada sobre ele! Assim, pus mãos (e olhos!) à obra e reli a deliciosa aventura amorosa da Srta. Elizabeth Bennet e Mr. Darcy... Como é fantástico o trabalho da autora na construção de seus personagens! Independente de não sabermos exatamente como são, afinal, ela não determina seus aspectos físicos, os conhecemos intimamente, o que conduz à leitura mais atenta dos dois grandes temas que são abordados frequentemente nos diálogos extremamente sagazes entre os personagens: o orgulho e o preconceito.Acredito que esse é o tipo de texto que deve ser lido várias vezes, pois a cada nova leitura um outro olhar se descortina, uma outra observação é realizada... e os personagens evoluem na sua 'dança' de encontros e desencontros, numa das mais belas histórias de amor que conheço! Não é pra menos que se tornou um clássico!
A garota da capa vermelha
Era uma vez uma garota que ia se casar com um ferreiro...
Era uma vez um lenhador que queria fugir com ela...
Era uma vez um lobo...
É com essa chamada, em vermelho, na contracapa, que A garota da capa vermelha (Sarah Blakley-Cartwright e David Leslie Johnson, iD editora)apresenta sua história nada convencional. Interessante que convence -principalmente num universo já tão recheado de vampiros e outros monstros! Mas a leitura, além de não guardar um elemento mágico capaz de aguçar os sentidos, é tão água com açúcar que enjoa...Gostei da narrativa, considerei atraentes a caracterização das personagens e o cenário meio funesto em que se passam os acontecimentos, mas falta à obra um "quê", algo que a torne mais... envolvente, talvez! Não gosto de parecer preconceituosa, mas um romance que nasce de um roteiro não me parece adequado!
O clímax da obra fica por conta da desconfiança de Valerie, a protagonista, de quem seria o lobo/lobisomem que ataca a aldeia onde vive, em noites de lua cheia: as passagens em que a nossa Chapeuzinho dark desconfia da avó, do amado, enfim, de todos... são um presente depois de momentos açucarados - e outros muito cruéis pro meu gosto! - de mais da metade do livro! Infelizmente, o final é decepcionante, mas enfim... ACREDITE NA LENDA, CUIDADO COM O LOBO!
3 de abril de 2011
Johaben - Diário de um construtor do templo
A história de Johaben (Record) é uma das mais incríveis que já li! Consegue ser a um só tempo fascinante - principalmente em razão de conter poderosos mistérios - e cansativa - por ocasião das inúmeras passagens descritivas, tanto dos ambientes quanto das sensações que envolvem a mudança do jovem Joab para Johaben.
É difícil encontrarmos romances brasileiros modernos de qualidade e que abordem uma pesquisa histórica tão ricamente trabalhada como esse de Zé Rodrix. Tenho lembranças do autor, da época de minha infância e adolescência, na música, como em Soy latino americano ou Casa no campo, mas jamais o havia associado à literatura. Fiquei encantada!
A habilidade com que ele pinta as personagens ou com que relata a busca por um deus para chamar de seu, o início da história da maçonaria, as razões por trás de mentiras e assassinatos, o renascimento do homem e sua relação com a pedra... são todos elementos que exercem função de manter o leitor preso à narrativa!
Agora preciso ler os outros dois volumes da trilogia pra continuar acompanhando as aventuras e descobertas de Johaben rumo ao novo mundo, onde as aves têm penas longas e azuis e a madeira tem seu cerne vermelho, capaz de tingir as mãos de quem a tocar...
11 de março de 2011
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